Há formas de violência que se denunciam sobretudo nos olhares. A precariedade, exclusão económica, a distribuição desigual de oportunidades e a ausência de garantias básicas de dignidade violentam dia-a-dia o corpo deste país. Um corpo de pernas e braços cansados, muitas vezes em risco iminente de colapso pela fome, pobreza e desencanto. A disciplina pela carência, deliberada ou não, impõe um estado constante de vulnerabilidade que corrói lentamente a vida social. São silenciosas, estas vidas habituadas à indiferença. Mas têm cara, nome e apelido. Existem.



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