A introspecção levava-o por veredas que nem sempre o deixavam confortável. Procurava reproduzir paraísos perdidos, que julgava conservados na memória, mas deparava, quase sempre, com episódios que o constrangiam, turvando-lhe o olhar e o pensamento.
Algo que o incomodava era a noção de que muita da tensão que o influenciava parecia pairar como uma atmosfera permanente que acabava por se manifestar em episódios desagradáveis, ou com essa sensação de se estar na floresta, no estado de natureza que alguém postulou que faria “a vida do homem (…) solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta”, permeada pelo medo. Só que Hobbes fazia-o para justificar o pacto que estabeleceria a transferência da liberdade individual para o Leviatã que asseguraria a “nossa paz e segurança”. Pior quando o monstro, ao invés de eliminar o medo, se transforma em mais um elemento que torna a floresta mais temível, densificando-o.
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