A poesia angolana sempre foi resistente. Na sua sensibilidade assertiva, enfrenta sistemas de opressão que atravessam o tempo. Cara-a-cara, dois poemas: “Monangamba”, de António Jacinto, clássico da luta de libertação, e “Apagaram o meu nome de todas as ruas”, de Ana Paula Tavares. A expressão crua destes poetas maiores constrói uma ponte simbólica entre as lutas de ontem e de hoje contra a destituição, a humilhação, a dor e o medo. Sem tempo nem cansaço, atiram com as suas chifutas versos que persistem no lugar mais nobre da poesia, a profunda trincheira de vida.
Selecção de Leopoldina Fekayamále
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