Matriz

A SOLIDÃO MORA NO PRENDA

Líria de Castro
AUtor
Líria de Castro
/ foto/ilustração:
Imanni da Silva

O dia começava antes das sete no Prenda. O cheiro de café coado se misturava ao barulho dos candongueiros, e o pregão das zungueiras ecoava pelas esquinas: “Banana, banana, fresquinha, filha!”

Nádia saía de casa com a pressa de quem aprendeu a viver entre o relógio e o perigo. O bairro despertava devagar, mulheres varrendo as calçadas, homens ajeitando as bancadas de peixe, crianças com uniforme remendado. Havia uma beleza triste naquele caos: era o retrato de quem resiste sem nunca ter sido convidado a existir. O táxi azul e branco vinha lotado. O cobrador gritava: “Mutamba, Mutamba! Sobe rápido, mana, que não tem troco!”

Ela sorria de leve e subia. O corpo dela sabia os caminhos, mas o pensamento já estava longe, na universidade, onde o mundo fingia ser mais justo do que era.

*Conto inspirado em "Minha Solidão", da autora.

Ler conto completo na Ngapa 04.

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