Movimento

Laboratório de fotogramas para uma breve exploração da violência

Gretel Marin*
AUtor
Gretel Marin*
/ foto/ilustração:
Ngapa

“Sofrer é uma coisa; outra é conviver com as imagens fotográficas do sofrimento, que não necessariamente fortalecem a consciência nem a capacidade de compaixão. Também podem corrompê-las. Quando tais imagens são vistas, percorre-se a ladeira de ver mais. E mais. As imagens impressionam.As imagens anestesiam.”

Susan Sontag, “Sobre fotografia”

Não foi tarefa fácil esta selecção e análise sumária de imagens que narram a violência nas suas diferentes perspectivas através do cinema. A verdade é que, a partir da variedade de olhares, o cinema angolano tem-se interessado veementemente pela representação da violência como uma espécie de exorcismo libertador. Quanto mais se experimenta a realidade angolana, mais se pode questionar a percepção de Sontag num contexto em que se corre o risco de os que sofrem serem silenciados.

“Rastos de Sangue”

Mawete Paciência

Longa-metragem de ficção, 2015

SAMKFilmes / B-Max-Produções

A imagem-ilustração

1. A imagem representa o que é, e nela vemos um reflexo do quotidiano. O quotidiano aqui é sinónimo de violência que atravessa a experiência de vida de toda uma nação. “Rastos de sangue” é uma história sobre o ódio e a impossibilidade de se reconstruir após uma infância perturbada. O passado é um detonador silencioso que gangrena a alma tanto do protagonista quanto dos seus agressores. A imagem, com os seus tons de cinema comercial, não se demora na abstracção, é um reflexo explícito da crueldade.

*Colaboração Documental de Dreça Manuel

Ver artigo completo na Ngapa 04.

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