Morning begins, as it often does, with a small correction. On the local train a man adjusts his bag so it doesn’t touch a woman’s shoulder, then looks away, as if care is an act that must not be witnessed. A security guard at a gated society shows his hand to stop a delivery person, whose body becomes an apology before a single word is shared. In an off ice elevator, a woman’s laugh rises loud and then is quickly forced down into something more ‘acceptable’. In a classroom, a student hesitates before speaking English. At home, a relative says, “We’re only worried because we love you,” followed with a long list of dos and don’ts.
None of this will be a headline. Daily social violence in India rarely announces itself as violence. It comes disguised as advice, tradition, humour, concern, or a fl ippant “just how things are.” It breathes in the tone. It lives in the uncomfortable or advisory pauses. It thrives in the power to decide who must explain themselves and who never has to. It lives, invisibly in stories that violence of systems and structures tell.
*Therapist and co-founder of Narrative Practices India Collective

A manhã começa, como muitas vezes, com uma pequena correcção. No comboio local, um homem ajeita a mala para não tocar no ombro de uma mulher. Depois desvia o olhar, como se cuidar fosse um acto que não deve ser
testemunhado. Um segurança de uma sociedade fechada levanta a mão para deter um estafeta, cujo corpo se transforma num pedido de desculpas antes de se dizer uma única palavra, sequer. Num elevador de escritório, a gargalhada de uma mulher ecoa alto e é rapidamente força da a baixar o tom para um volume mais “aceitável”. Numa sala de aula, um aluno hesita em falar em inglês. Em casa, um familiar diz “só nos preocupamos, porque te amamos", seguido de uma longa lista de coisas a fazer e a evitar.
Nada disto será um destaque. A violência social diária na Índia raramente se apresenta como violência. Vem disfarçada de conselho, tradição, humor, preocupação ou de um leviano “assim são as coisas”. Respira-se no tom de voz.Vive nas pausas desconfortáveis ou nos avisos. Prospera no poder de decidir quem tem ou não de se explicar. Vive de forma invisível nas histórias contadas pela violência dos sistemas e pelas estruturas.
*Terapeuta e co-fundadora do Colectivo de Práticas Narrativas Índia
Tradução de Pedro Cardoso
Ler crónica completa na Ngapa 04.