Vivemos um momento histórico em que a tecnologia, especialmente a Inteligência Artificial, está a mudar tudo muito rapidamente. Essa mudança traz oportunidades, claro, mas também desafios enormes, principalmente para países como Angola e outros no chamado Sul Global. Estamos preparados para aproveitar essas tecnologias para beneficiar o nosso próprio desenvolvimento?
A Inteligência Artificial (IA) tem o poder de transformar sectores inteiros — desde a Saúde e a Educação até à Agricultura ou os Transportes. Mas o que muitas vezes se esquece é que essa transformação não acontece sozinha. É preciso ter as condições certas: acesso à tecnologia, infra-estrutura e, sobretudo, pessoas formadas com as competências necessárias. Sem isso, corremos o risco de ficar para trás ou, pior ainda, de depender cada vez mais de soluções criadas por outros países, sem controlo nem adaptação à nossa realidade.
Na minha posição como Director da Jobartis, tenho o privilégio de acompanhar de perto o mercado de trabalho angolano. Recentemente, lançámos o “Relatório do Emprego em Angola” e os dados são muito reveladores. Por exemplo, apenas 19% dos candidatos têm uma licenciatura completa. E quase metade das pessoas que procuram emprego não tem nenhuma experiência profissional. Estes números mostram uma realidade muito clara: o país ainda não consegue formar e qualificar pessoas ao ritmo que o mercado — e a tecnologia — exige.