Movimento

Rituais de Futuro

Janguinda Kabwenha
foto/ilustração:
Arquivo Janguinda Kabwenha

Entre gestos ancestrais e cabos eléctricos, os projectos Yakalakaya e Umbango insurgem-se através da arte e da estética contra a colonialidade que ainda assombra corpos e territórios. Redesenhar o tempo, onde o passado se transmuta em tecnologia espiritual e o futuro brota da nossa raiz, é urgente.

A modernidade, muitas vezes celebrada como universal, carrega uma lógica eurocentrada que marginaliza saberes e formas de vida não ocidentais. Ao interrogar essa suposta neutralidade, a arte e a expressão estética da nossa forma de estar deve buscar valorizar epistemes ancestrais, cosmologias subalternizadas e modos alternativos de percepção. Através de projectos culturais como Yakalakaya, resisto à invisibilização de corpos, territórios e experiências que foram historicamente silenciados ou inferiorizados. Essa resistência não se dá apenas no conteúdo da obra, mas também em como ela é concebida, compartilhada e percebida.

Yakalakaya surge com o intuito de aceder à herança literária, à tradição oral, música, aos desenhos sona, às pinturas, danças e artes marciais. A promoção destas expressões materializa-se em exposições fotográficas, vídeos, palestras e performances multidisciplinares que expressam a diversidade cultural dos diferentes povos de Angola.

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