A investigação científica é uma força motriz silenciosa fundamental para o desenvolvimento e crescimento dos países. Mas em Angola acaba com frequência por ser atirada para o fim da lista das prioridades não só do Governo, mas também das empresas e das próprias instituições académicas. Falta dinheiro e, muitas vezes, vontade política para apostar em definitivo na investigação como um objectivo estratégico que oriente as políticas do país.
Os sucessivos Orçamentos Gerais do Estado (OGE) são a “prova provada” de que a investigação praticamente não é tida nem achada na lista de prioridades do país. Entre 2019 e 2025, os montantes alocados para investigação variaram entre os 0,6% e os 0,9% da despesa total projectada pelo Governo. Mas uma coisa é a cabimentação de verbas e outra é a sua utilização efectiva e nas contas gerais do Estado não é possível verificar o grau de execução na área da investigação. Mas como raramente os OGE têm sido executados tal e qual como foram planeados, é fácil antever que o mesmo esteja a acontecer neste sector – à semelhança de áreas fundamentais para o desenvolvimento do país como a Educação e a Saúde, que quase nunca ultrapassam os 70% de execução orçamental.
Neste cenário, nos últimos sete anos, apenas por uma vez, em 2023, as verbas que o Governo inscreveu no OGE para investigação não cresceram. Em termos de despesa por função, o Governo tem cabimentado verbas para seis sectores de investigação: Segurança e Ordem Pública, Educação (no Ensino Superior), Protecção Ambiental, Assuntos Económicos, em Recreação, Cultura e Religião e investigação básica.