Ensaio

Gerdes e o Despertar Matemático: Apresentação da Geometria Sona

Marcos Cherinda
foto/ilustração:
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A geometria sona, tradição milenar do povo Cokwe, é um exemplo vivo de como o saber africano tem raízes profundas. Estudados pela primeira vez como expressão matemática pelo académico holandês-moçambicano Paulus Gerdes, os sona convidam-nos a repensar o lugar de África na história da ciência. Reconhecendo que o saber, na sua origem, evolução e também no questionamento, é património inalienável de toda a humanidade.

Sobre o despertar do pensamento geométrico” é o título (original em alemão) da tese de Doutoramento em Filosofia de Paulus Gerdes (1952 – 2014), apresentada em 1985 em Dresden, na Alemanha. É na defesa deste “despertar” que Gerdes nos traz o conhecimento matemático subjacente nas manifestações culturais de povos outrora colonizados, em particular os conhecimentos dos povos africanos, rejeitados durante séculos.  Aqui iremos decifrar o pensamento geométrico “escondido” da cultura Cokwe do nordeste de Angola – a Geometria Sona.

A história sociocultural recente das lutas de libertação e dos anos pós-independência dá-nos bases para uma reflexão profunda sobre o tema. Este período foi caracterizado pela euforia da revolução política e da necessidade de afirmação das nacionalidades e de reconquista da dignidade humana dos povos agora libertados.

Tal como outros territórios em África, as ex-colónias de Portugal, uma vez já libertados politicamente seus territórios e povos com as independências declaradas em 1974/1975, aperceberam-se da necessidade imediata de continuar a luta pela libertação do homem nas dimensões económica, social e cultural – reconhecendo a libertação cultural das mentes como primordial para o alcance de todo o resto. Não seria possível construir uma sociedade nova com mentalidades amarradas ao passado.

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