Movimento

Mpungu e Dikenga: Conhecimento ancestral e as novas expressões musicais africanas

Victor Gama
foto/ilustração:

Uma parte significativa da minha experiência com instrumentos musicais, e muito do que aprendi sobre eles, provém de quase três décadas de trabalho de campo nas províncias de Angola, no contexto do projecto Tsikaya – Músicos do Interior (https://tsikaya.org/), trabalhando com vários músicos e compositores para a divulgação da sua música e instrumentos.

Neste caminho, confrontei-me com o declínio notável no uso de instrumentos tradicionais angolanos, provocado pelo conflito prolongado que devastou o país. Embora já construísse instrumentos tradicionais como o kisanji, nos últimos 25 anos tenho vindo a criar e a optimizar novos instrumentos, que integram hoje a colecção “Instrmnts” (www.instrmnts.com/). Dos mais de vinte projectos desenvolvidos, apresento neste artigo dois em especial, a Toha e o Acrux.

A origem destes instrumentos e da música resultante radica em dois conceitos fundamentais da cosmogonia Kongo/Angola: o Mpungu, um objecto religioso utilizado para práticas medicinais, e o Dikenga, um cosmograma que manifesta a visão do mundo dos Bakongo na África Central, com a sua natureza cíclica.

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